quarta-feira, 28 de abril de 2010
Consumo dos suplementos minerais
bovinos em pastagens de baixa qualidade ou disponibilidade consomem mais minerais, que coincide também com a época seca do ano devido à maior quantidade de fibra, menor digestibilidade e quantidade de proteína na forragem;
suplementos protéicos e energéticos podem fornecer também minerais e diminuir a necessidade e apetite dos animais quando oferecidos isoladamente, mas caso seja adicionado à mistura mineral funcionam como palatabilizante e aumentam o consumo da mistura total;
quanto maior o nível de produção maior a necessidade de minerais e maior o consumo da mistura mineral;
o sal comum funciona como palatabilizante devido ao apetite particular dos bovinos por este, entretanto é também regulador de consumo onde quanto maior a quantidade de sal comum no suplemento mineral menor será seu consumo;
quando os animais não têm acesso ao suplemento mineral por tempo prolongado podem consumir de duas a dez vezes mais minerais do que o esperado até que seu apetite esteja satisfeito;
o umedecimento e o empedramento diminuem o consumo do suplemento mineral;
a localização do cocho de suplemento mineral próximo de aguada ou malhadouro permite o consumo regular do suplemento, pois o consumo é menor se os animais têm que andar longas distâncias.
O consumo das misturas minerais devem ser avaliados mensalmente nas propriedades, para assegurar que seu fornecimento esteja de acordo com o preconizado pela fórmula e evitar as deficiências sub-clínicas ou clínicas.
NOVOS CONCEITOS NA SUPLEMENTAÇÃO MINERAL DE BOVINOS

Embora o reconhecimento da importância da Nutrição Mineral remonte ao século XVIII, ainda hoje esse ramo da Nutrição Animal apresenta, em termos práticos, enorme dicotomia de ação, havendo criatórios no Brasil que se utilizam de alta tecnologia ao passo que outros, ainda hoje, exibem ausência de cochos em suas pastagens.
Enquanto uma fração de técnicos extensionistas procura convencer um futuro usuário das benesses da mineralização completa, o estudo puro e simples das funções dos minerais na Nutrição Animal cedeu lugar para o conhecimento das interações entre os elementos inorgânicos da dieta, e ainda, de elementos minerais não essenciais interagindo com nutrientes e, portanto, afetando o desempenho animal.
O objetivo desse trabalho é alertar para pontos básicos de máxima importância, quer avançado para novos conceitos tecnológicos, quer retroagido para a conceituação básica de nutrição mineral, procurando então um denominador comum mais próximo da realidade e aplicabilidade prática.
Conceito Básico de Mineralização
Baruselli (2005), baseado nas estimativas de produção e consumo de fosfatos aplicáveis na Nutrição Animal (notadamente fosfato bicálcico), estima que somente 38% do rebanho brasileiro recebem suplementação mineral devidamente balanceada.
Conceito de carência marginal x deficiência
Em condições tropicais, é comum a exploração pecuária em terras de baixa fertilidade de solo, ou áreas em franca degradação. Considerando a limitada capacidade de ingestão de um suplemento mineral pelo bovino a pasto (cerca de 80 a 100 g/animal/dia), o binômio alta exigência animal x solos fracos (típico da atividade de cria nos trópicos), a carência marginal (fome surda) é a mais “silenciosa” forma de prejuízo, notadamente à reprodução dos bovinos (Haddad e Platzek, 1985, McDowell, 1992).
Na carência marginal, o animal não exibe quaisquer sintomas, específicos ou não, tornando difícil o diagnóstico. Somente a reprodução e, em menor escala, o ritmo de desenvolvimento reassumem padrões adequados quando o nutriente em questão é adicionado em resposta a uma suspeita. Phillippo (1983) descreve que um critério definitivo para diagnosticar qualquer inadequação (desbalanço ou falta ou excesso) de
um elemento mineral é dado pela melhoria na fertilidade que ocorre em resposta a alterações tecnicamente corretas levadas a termo.
A carência marginal de minerais no Brasil é um fato pouco estudado, mas de dimensões gigantescas. Margulis (2005) em recente artigo calculou que em 2004, o consumo de suplementos minerais no país foi de 1.850.000 t para uma demanda potencial de 4.1000.000 t (45% do total), o que permite concluir que mais da metade do rebanho nacional é positivamente mal mineralizado, corroborando os dados de Baruselli (2005).
Já a deficiência implica sempre em sintomatologia, ainda que inespecífica para alguns casos. Exemplificando, o bócio é sintomatologia específica para deficiência de iodo, mas fratura óssea espontânea pode ter como causas deficiência de cálcio, fósforo, vit. D, cobre ou manganês.
Conceito de Essencialidade
Mineral essencial é aquele que, em condições específicas de experimentação, uma vez retirado da dieta, provoca uma sintomatologia específica ou não, e uma vez restabelecido seu favorecimento, cessam os referidos sintomas.
A Ciência lista 25 minerais essenciais à vida de um mamífero superior. Este total é composto de sete macronutrientes – cálcio (Ca), fósforo (P), potássio (K), sódio (Na), cloro (Cl), magnésio (Mg) e enxofre (S) e dezoito micronutrientes – ferro (Fe), iodo (I), zinco (Zn), cobre (Cu), manganês (Mn), cobalto (Co), molibdênio (Mo), selênio (Se), cromo (Cr), e ainda estanho (Sn), vanádio (V), flúor (F), silício (Si), níquel (Ni), arsênico (As), alumínio (Al), chumbo (Pb) e rubídio (Rb). Esses nove últimos citados têm sua essencialidade baseada em efeitos sobre o crescimento com animais de laboratório, em condições muito específicas. Dessa forma, do ponto de vista prático, essa “essencialidade” pouco ou nada representa de importância econômica (Underwood & Suttle, 1999).
Além dos elementos citados, tecidos animal e vegetal exibem adicionalmente 20 ou 30 elementos, incluindo os exóticos ouro e prata, onde nenhuma função vital foi reconhecida pela Ciência, de modo que são considerados constituintes minerais adventícios e refletindo, portanto, o contato com o meio ambiente. Os demais nutrientes, embora reconhecida a essencialidade em “laboratório”, não se constituem problema no dia a dia.
Tradicionalmente, a suplementação mineral em dietas animais é realizada através de sais na forma inorgânica: sulfatos, cloretos, carbonatos e óxidos. Porém, devido ao avanço da produção de bovinos de corte da última década, observa-se um interesse crescente na utilização de novos elementos minerais, antes considerados não essenciais, bem como formas de suplementação diversas, sob forma de minerais quelatados ou orgânicos.
Conceito de Biodisponibilidade
A biodisponibilidade biológica de um mineral, ou seja, a proporção do elemento presente no alimento que é absorvida pelo animal e utilizada nas suas funções biológicas (Underwood, 1999), depende de vários fatores, incluindo níveis do elemento ingerido, idade e estado nutricional do animal, condições ambientais, pH intestinal, presença de antagonistas e, principalmente, da fonte mineral.
As fontes mais comumente utilizadas na nutrição animal são as fontes inorgânicas (sulfatos, carbonatos, óxidos, cloretos e fosfatos). As formas orgânicas, como os quelatos, também são usadas comercialmente, embora em menor quantidade, pois, mesmo apresentando biodisponibilidade próxima ao dos sulfatos, ainda demonstram relação custo/ benefício pouco favorável.
Conceito de minerais mais exigidos em condições de pastagens e suas interações
Cálcio e Fósforo
O cálcio é o mais abundante mineral do organismo bovino, sendo que 98% do cálcio corporal encontram-se nos ossos e dente, e o restante distribuído nos fluídos extracelulares e tecidos moles, exceção à gordura (NRC, 1996).
O cálcio está envolvido na formação de tecidos duros (ossos e dentes), na contração muscular, coagulação sanguínea e ativação de sistemas enzimáticos.
A homeostase do Ca2+ em mamíferos é mantida através de um complexo processo envolvendo a interação de alguns hormônios [paratormônio (PTH), 1,25-dihidroxivitamina D (1,25(OH)2D3), calcitonina] e sistemas orgânicos, como as glândulas paratiróides, células-C tiróideanas, rins, ossos e intestino. Alterações na concentração de Ca2+ são reconhecidas pelas células sensíveis a essas mudanças por intermédio do receptor de cálcio (aR), resultando na ativação a curto prazo (minutos a
horas) e a longo prazo (dias a semanas) da resposta homeostática, com a finalidade de normalizar o nível de cálcio (Brown, 1999).
Na vigência de hipocalcemia, por exemplo, há um aumento rápido da secreção de PTH pelas células paratiroideanas e, em questão de horas, há um aumento no nível de mRNA para a síntese de PTH. Esta resposta de aumento de secreção de PTH está diretamente relacionada ao mecanismo de percepção dos níveis séricos de cálcio, mediado pelo CaR. O PTH mobiliza o cálcio ósseo, aumentando o fluxo de cálcio do osso para a circulação sanguínea, reduz a excreção renal de cálcio (aumentando a reabsorção de cálcio pelos túbulos distais) e aumenta a produção de 1,25(OH)2D3 a nível renal. Por sua vez, este metabólito ativo da vitamina D age no intestino aumentando a absorção do cálcio proveniente da dieta. Assim, através da ação conjunto da PTH e da vitamina D, a concentração de cálcio sérico se eleva, resultando na diminuição de PTH, completando o mecanismo clássico de feedback negativo (Brown, 1991).
Em contraste, na hipercalcemia ocorre a supressão da secreção de PTB e conseqüente redução da síntese de 1,25(OH)2D3, com resultante diminuição da reabsorção renal de cálcio, da mobilização do cálcio do osso e da absorção do cálcio pelo intestino. Neste caso, o excesso de cálcio circulante é “sentido” pelo CaR, que, uma vez ativado, sinaliza a informação para a célula paratiroideana secretar menos PTH. A hipercalcemia também estimula diretamente a secreção de calcitonina pelas células C tiroideanas através de um mecanismo de feedback positivo. A calcitonina possui um efeito hipocalcêmico modesto em circunstâncias normais, quando comparado aos efeitos do PTH e da 1,25(OH)2D3. Assim, esses 3 hormônios calciotrópicos agem em seus órgãos efetores, principalmente osso, intestino e rins, alterando o transporte dos íons cálcio para o interior ou para o exterior do fluído extracelular, modulando desta forma a manutenção da homeostase desse íon (Brown, 1999; Hauache, 2001).
O fósforo é o segundo elemento mineral mais abundante no corpo dos bovinos, desempenhando funções vitais tais como formação óssea, metabolismo energético, síntese de fosfolipídeos e proteínas, componente de ácidos nucléicos, ativação enzimática, armazenagem de energia, etc. Também sua presença na saliva garante pH e nutrição adequada aos microrganismos do rúmen, potencializando o processo digestivo e absorção de outros nutrientes. É ligado diretamente aos processos de crescimento e reprodução.
Cálcio, fósforo e vitamina D apresentam sinergia uma vez que 80% do P associa-se ao cálcio na forma de hidroxiapatita (Coelho da Silva, 1995) e a vitamina D incrementa a absorção intestinal do Ca e P da dieta.
O fósforo, juntamente com o Zn são os dois nutrientes minerais mais carentes em pastagens da América Latina, e ambos envolvidos diretamente com crescimento e reprodução (McDowell, 1992). Provavelmente, os baixos índices de reprodução observados no rebanho brasileiro possam ser parcialmente explicados pela pequena presença desses nutrientes na dieta.
Enxofre
O organismo animal contém cerca de 0,2% de enxofre, sendo que este se encontra tanto na forma mineral como em compostos orgânicos.
Para tornar-se disponível, o S inorgânico (elementar) deve ser oxidado a sulfato ou reduzido a sulfito, constituindo o chamado ciclo do enxofre (Underwood e Suttle, 1999). Esse ciclo é altamente dependente dos microrganismos.
O enxofre participa da síntese protéica (aminoácidos sulfurados), e estes fazem parte da estrutura de alguns hormônios (McDowell,1992). O enxofre também é parte integrante das vitaminas B1 (Tiamina) e H (Biotina).
Dessa forma, o elemento tem participação ativa no ciclo de Krebs (metabolismo de energia) e ainda é parte integrante de algumas moléculas orgânicas como hemoglobina, heparina, condroitina, taurina e citocromo e coenzimas.
Não é incomum a ausência parcial do enxofre na nutrição de bovinos, pois o uso do fogo em pastagens ainda é prática usual em algumas regiões, fazendo acentuar a queda dos teores de S na forragem. Além disso, um mero cálculo aritmético mostra pouca preocupação dos nutricionistas em colocar enxofre em teores mais elevados no suplemento mineral.
Como é de praxe, a sintomatologia clássica da deficiência é rara, mas os efeitos da carência marginal refletem basicamente no desempenho reprodutivo (Haddad e Platzek, 1985).
O enxofre interage com o cobre, molibdênio, selênio e nitrogênio. Altas concentrações de molibdênio na presença de enxofre reduzem a absorção de cobre pela formação de um complexo pouco solúvel chamado tiomolibdato de cobre (McDowell, 1992). Por outro lado, o enxofre na ausência do molibdênio também pode causar deficiência de cobre pela formação de sulfito de cobre que é pouco solúvel.
O enxofre apresenta também antagonismo ao selênio, os quais por serem semelhantes em suas estruturas químicas, competem pelo mesmo sitio de absorção (Pond et al, 1995).
Zinco
Juntamente com o cobre, são os dois micronutrientes mais envolvidos em funções no organismo animal. Estima-se que o zinco seja componente essencial de mais de 200 sistemas enzimáticos no organismo de um animal superior (Cousins e Hempe, 1999). O zinco é essencial na transformação de retinol em vitamina A e na mobilização desta no fígado.
De modo geral, a ação da vitamina A é dependente de níveis adequados de zinco na dieta, o que nem sempre acontece em condições tropicais.
McDowell et al (1983) em levantamento de teores de minerais nas forragens da América Latina, concluíram que o Zn estava ausente parcial ou totalmente de 75% das amostras analisadas e confrontadas com as exigências nutricionais de bovinos de corte.
O zinco também participa do metabolismo de ácidos graxos, integridade das membranas das hemácias, síntese DNA, metabolismo da proteína, regulação do apetite, integridade do epitélio e ossos, reprodução e crescimento. O zinco também está envolvido no sistema imunológico do animal, crescimento fetal e manutenção da gravidez em condições normais.
Altas doses de cálcio reduzem a absorção de zinco, o mesmo acontecendo com cobre, ferro, cádmio e fitatos (Underwood e Suttle, 1999).
Cobre
O cobre é um nutriente envolvido em dezenas de reações e funções no organismo, destacando-se a respiração celular, formação óssea, formação e manutenção da integridade das hemácias, manutenção da elastina aórtica e mielina, queratinização e pigmentação dos tecidos, integridade do sistema nervoso central, sistema imunológico, metabolismo de lipídeos, e participando ativamente da reprodução e crescimento (Gooneratne et al, 1989, McDowell, 1992, Underwood e Suttle, 1999).
A enzima citocromo oxidase, catalisadora da reação do oxigênio da água, essencial para o processo de respiração celular é constituída, dentre outros elementos, pelo cobre.
Também a síntese de hemoglobina é dependente conjuntamente do cobre e ferro. O elemento cobre também faz parte do colágeno e elastina, responsável pela integridade de vasos e artérias. O cobre também atua na conversão de tirosina em melanina, sendo em parte responsável pela pigmentação do pelo e lã.
Ainda dentro das interações antagônicas, zinco e ferro em altos níveis são capazes de alterar a disponibilidade de cobre (Pulls, 1994).
Selênio
O selênio está envolvido em dezenas de reações orgânicas e dentre estas se destacam o funcionamento da glutationa peroxidase, responsável direto pela destruição de hidroperóxidos antes que haja agressão à integridade das membranas (Rowntree et al, 2004). Portanto, o selênio atua sobre a integridade das membranas e proteção contra degeneração oxidativa dos tecidos.
O selênio também participa da atividade dos hormônios da tiróide, potencialização da resposta imunológica, locomoção do espermatozóide, metabolismo de ácidos graxos, síntese de DNA e RNA (Santos e Amstalden, 1998; Underwood e Suttle, 1999).
Selênio e vitamina E apresentam forte relação de sinergismo, diminuindo as exigências de vitamina E na membrana celular e aumentando sua retenção no plasma sanguíneo. Por sua vez, a vitamina E mantém o Se corporal na forma ativa, diminuindo sua perda e prevenindo a oxidação de fosfolipídios da membrana (McDowell, 1992; Galyean et al, 1999). O selênio também exerce ação antagônica ao enxofre (Henry e Miles, 2000), podendo substituí-lo em aminoácidos sulfurados e, então, serem incorporados a esqueletos protéicos (produção de selênio-aminoácidos, substituição do grupo sulfidril em sistemas enzimáticos e produção de substâncias tóxicas).
Cromo
O papel do cromo na nutrição animal foi revisto pelo National Research Council (NRC, 1997) onde vários estudos com bovinos demonstraram a importância do elemento em situação de estresse emocional, físico e metabólico, resultante da intensificação da produção, a qual propiciaria maior susceptibilidade a doenças e alterações metabólicas.
A ação do cromo é basicamente de potencializador da insulina e sua ausência provoca alterações nos metabolismos dos carboidratos, aminoácidos e lipídeos em ação
semelhante ao diabetes, e ainda um efeito supressor no sistema imunológico (Burton, 1995).
Em termos práticos, o cromo desempenharia ação positiva em situações de stress, tais como, marchas, longas jornadas, desmame, castração etc.
Conceito de minerais orgânicos
Minerais orgânicos ou quelatados (do grego chele, garra) são minerais ligados à moléculas orgânicas como aminoácidos, carboidratos ou proteínas. Nem todo metal complexado pode ser definido como quelatado, pois para ser classificado como tal, o agente quelante deve necessariamente (Kratzer e Vohra, 1986):
1) conter, no mínimo, dois grupos funcionais (oxigênio, nitrogênio, amino, hidroxil), capazes de doar um par de elétrons e combinar-se, através de ligações covalentes combinadas, com um metal;
2) formar um anel heterocíclico com o metal.
As substâncias capazes de exercer ação quelante são numerosas, sendo representadas, entre outras, por ácidos inorgânicos bifásicos, ácidos orgânicos dicarboxílicos, diaminas, aminoácidos e peptídeos (Maletto, 1984). Do ponto de vista nutricional, apenas quelatos formados com aminoácidos ou dipeptídeos são interessantes.
Como se pode observar a seguir, segundo o tipo de ligação que apresentam, os minerais orgânicos ou complexados podem ser classificados como (AAFCO, 2000):
• Quelato metal aminoácido: resultado da reação de um sal metálico solúvel com aminoácidos, em proporção molar 1:1, 1:2 (preferencialmente) ou 1:3, a fim de se criar ligações covalentes. O peso molecular aproximado dos aminoácidos hidrolisados deve ser de 150 Da, visto que o peso molecular total não deve ultrapassar 800 Da;
• Complexo metal aminoácido: obtido da complexação de um sal metálico solúvel e um ou mais aminoácidos;
• Complexo metal aminoácido específico: semelhante ao anterior, mas resultado da ligação com um aminoácido específico;
• Metal proteinado: resultado da quelação de um sal metálico solúvel com uma proteína parcialmente hidrolisada;
• Complexo metal-polissacarídeo: obtido através da complexação de um sal metálico solúvel e uma solução de polissacarídeos.
Um mineral quelatado realmente eficaz deve (I) apresentar alta solubilidade em água, (II) permanecer estável durante todo o processo digestivo, (III) ser altamente absorvível e (IV) gerar respostas produtivas no animal.
Para ruminantes, a estabilidade torna-se particularmente importante pois, para que um mineral complexado ou quelatado seja nutricionalmente funcional, deverá ser estável no rúmen e abomaso e capaz de alcançar o intestino delgado intacto.
Conceito de Mineralização (fornecimento)
Tão importante quanto a presença do mineral na dieta, sua forma química, biodisponibilidade e possibilidade de interação é a forma de fornecimento ao animal.
Essa forma de fornecimento inclui vários aspectos técnicos, tais como:
• Adubação de Pastagens
É a forma mais efetiva e de melhor relação custo/ benefício para fornecimento de macronutrientes (notadamente fósforo) para animais de alta exigência vivendo em solos de baixa fertilidade.
O binômio exploração de cria/ solos pobres provoca deficiência ou carência marginal de fósforo, principalmente pela limitação de consumo de minerais no cocho (Haddad e Platzeck, 1985). O mesmo pode acontecer com o enxofre uma vez que os suplementos minerais quase sempre negligenciam a concentração ideal desse elemento, e a queima das pastagens ainda é prática normal em grande parte do Brasil.
O fornecimento de macrominerais, notadamente P e S, via adubação, além de provocar aumento na produção forrageira e maior resistência à degradação, enseja um aumento na concentração do elemento na forragem, desonerando a responsabilidade do cocho em atender a elevada exigência animal.
• Localização do cocho
Na esmagadora maioria das fazendas, a localização do cocho visa atender à facilidade de acesso humano ou atua como condicionante de pastejo. Quando o binômio alta exigência nutricional/ solos pobres se faz presente, a localização do saleiro deve ser mais próxima possível da fonte de água, uma vez que essa condição provoca o maior consumo pelo animal (Haddad e Platzeck, 1985).
• Dimensionamento do cocho
Para que haja competição pelo cocho, a estrutura deve apresentar 4m lineares para cada 100 UA. Boa parte dos cochos existentes em propriedades bem tecnificadas apresentam essas dimensões na forma de cochos com 2m de comprimento e acesso por ambos os lados. Entretanto, um rápido exame do cocho identifica largura insuficiente para acesso simultâneo pelas laterais, de forma que se estabelece a competição por espaço, manifesta-se a hierarquia do rebanho e vários animais mais tímidos permanecem sub-mineralizados.
• Necessidade de cobertura
Cochos bem protegidos da ação climática são raros de serem observados, mesmo nas melhores e mais tecnificadas propriedades. A rigor, cobertura de cocho evita desperdício, alterações nas propriedades físicas, e mesmo químicas, do produto. Cochos
cobertos permitem a segura utilização de nitrogênio não protéico misturado ao mineral, e são sempre bem-vindos em qualquer propriedade.
Entretanto, um manejo mais cuidadoso do fornecimento, traduzido por mais visitas ao cocho, colocando menos sal (maior freqüência e menor quantidade), pode atenuar o desperdício observado pela ausência de cobertura.
Nutrição Mineral de Gado de Leite

Introdução
Atualmente os sistemas de produção de leite com alta tecnificação, apresentam gargalos na
reprodução e na qualidade do leite. Longos intervalos de parto associados ao alto número
de serviços por concepção comprometem a vida produtiva da vaca. Do mesmo modo, leite
com alta contagem de células somáticas tem menor remuneração no mercado.
A nutrição adequada tem efeito direto na minimização dos fatores que afetam o
desempenho reprodutivo de vacas de alta produção. Uma boa dieta deve suprir a
necessidade de energia, conter níveis adequados de proteína e atingir as necessidades de
vitaminas e minerais. Qualquer desbalanço nesse sentido pode levar a baixos índices de
desempenho ou desperdício de dinheiro.
A mineralização em gado leiteiro de alta produção tem foco na melhora do desempenho
reprodutivo, que consiste na diminuição do intervalo de partos, diminuição dos serviços por
concepção e aumento na proporção de vacas prenhes em relação ao rebanho. Outro ponto
em que a mineralização exerce efeito, é na qualidade do leite, principalmente na contagem
de células somáticas. A suplementação efetiva de vitamina e alguns microminerais (Zinco)
têm efeito positivo na CCS.
Apresentação dos minerais
Tanto macro como microminerais podem se apresentar em várias formas. O fósforo pode se
apresentar na forma de fosfato bicálcico, fosfato monoamoneo, farinha de ossos ou na
forma natural. Em cada uma dessas apresentações existe uma particularidade que beneficia
ou não a utilização na nutrição animal
Tabela 1 - Comparação entre as principais fontes de fósforo
Fonte Sol. Ácido cítrico 2% Relação F:P Relação Ca:P
Fosfato bicalcico 90-95% 1:105 1,33
MAP 107% 1:40 -1:100 -
Farinha de ossos calcinada 70% - 2
Fosfato de rocha 25% 1:6 -
Os microminerais também se apresentam em várias formas, com biodisponibilidade
variando conforme apresentação. Os minerais podem se apresentar na forma orgânica ou
inorgânica (óxidos, sulfatos ou carbonatos). Quando na forma de óxidos a maioria dos
microminerais apresentam baixa disponibilidade, principalmente quando comparados a
sulfatos ou carbonatos. Além disso, os microminerais podem se apresentar conjugados a
moléculas orgânicas com aminoácidos, peptídeos ou polissacarídeos. Esses minerais na
forma orgânica apresentam maior disponibilidade quando comparados aqueles na forma
inorgânica.
Principais minerais relacionados com a reprodução de matrizes leiteiras
- Fósforo – Macromineral essencial para a reprodução. O fósforo é constituinte do ATP,
que é responsável pelos processos metabólicos no organismo. Várias fontes de fósforo são
disponíveis no mercado, porém a fonte mais limpa, com boa solubilidade é o fosfato
bicálcico. Matrizes de alta produção que recebem dietas com alto teor de grãos, que por sua
vez são ricos em fósforo, podem consumir menores quantidades de fósforo por meio do
mineral. Porém, é importante considerar que o fósforo presente nos grãos está ligado ao
fitato e o seu aproveitamento é limitado à ação das fitases no rúmen.
- Cobre – Micromineral mais importante na nutrição depois do fósforo. A ação de
microminerais como o cobre ocorre em nível bioquímico. O cobre atua como co-fator
enzimático na síntese de hormônios, vitaminas e enzimas. Na forma de óxido o cobre é
pouco disponível para a suplementação, além disso, sofre antagonismo do ferro, enxofre e
molibdênio. A utilização na forma orgânica tem sido uma das ferramentas para evitar tais
interações.
- Zinco – Da mesma forma que o cobre, o zinco atua em nível bioquímico como co-fator
enzimático. A deficiência de zinco compromete a concepção na fêmea. O zinco não é
estocável e esta relacionado com a mobilização hepática de vitamina A. A absorção do
zinco segue as mesmas vias da absorção do cobre, existindo até competição por receptores.
O zinco ativa o mecanismo de liberação da vitamina A no fígado.
- Selênio – Participa da composição da enzima glutationa peroxidase, essa enzima está
relacionada com o combate aos radicais livres, portanto tem efeito direto na manutenção de
membranas. Assim, está relacionada com a concepção. McDowell (2002) observou efeito
positivo da suplementação de selênio na forma orgânica.
-Manganês – Mineral que esta correlacionado com a intensidade de demonstração de cio
em matrizes. Os requerimentos não são estudados desde a década de 40, por isso os níveis
de inclusão precisam ser revistos, principalmente em vacas de leite de alta produção.
- Cobalto – Percussor da vitamina B12, que é essencial para a flora microbiana.
Suplementação mineral é efetiva para evitar problemas com deficiência, que leva a
anorexia, perda de pelos e anemia.
- Cromo – Micromineral relacionado com o fator de tolerância a glicose, o que determina a
efetividade da insulina. MELLO (2002) observou aumento do metabolismo basal, melhor
conversão alimentar e diminuição na produção de corticóides em bezerros suplementados
com cromo orgânico. A efetividade do mineral na forma orgânica é maior, considerando
que o elemento está pouco disponível em alimentos.
CHESTER-JONES(2004) comparou minerais orgânicos conjugados com aminoácidos e
minerais orgânicos conjugados com polissacarídeos. Além disso, incluiu no tratamento uma
mistura entre sulfatos e minerais orgânicos conjugados a polissacarídeos (2/3 e 1/3,
respectivamente) e um tratamento com minerais inorgânicos somente. Os resultados
seguem na tabela abaixo.
Tabela 1 – Efeitos da suplementação de minerais orgânicos (zinco e cobre) na reprodução
de vacas em lactação
Tratamento Concepção 1o
serviço
(%novilhas)
Concepção 1o
serviço ( %
vacas)
Dias em
aberto
Serviços por
concepção
Sulfatos 42 15 152 2,1
Orgânicos
polissacarídeos
71 67 112 1,6
Orgânicos AA 38 22 134 1,6
Sulfatos (2/3) +
Orgânicos
polissacarídeos
(1/3)
34 25 136 1,8
CHESTER-JONES (2004)in: Feedstuffs
Alem dos efeitos no desempenho reprodutivo, a adequada mineralização contribui para
melhora da qualidade do leite, principalmente na redução da contagem de células
somáticas.
Em levantamento feito por Harmon (1998) é observado redução da CCS em intensidades
diferentes, com suplementação orgânica envolvendo Zinco, Cobre e Selênio.
Tabela 2 - Influência da suplementação de minerais orgânicos na contagem de células
somáticas.
Alves (2002) trabalhando com vacas holandesas em regime de free-stall avaliou o
desempenho em relação à contagem de células somáticas (CCS) durante 1 ano com os
resultados mensurados a cada 15 dias. Observando menor contagem em animais
suplementados com Zn orgânico.
Figura 1: Resultados com suplementação com Zn orgânico na contagem de células
somáticas
M ineral
orgânico
Fornecimento
diário % de redução CCS Referencia
Zn 400mg 57% Harris, 1995
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
52%
Boland et al., 1996
(n=7)
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
45% Boland et al., 1996
(n=28)
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
35%; 0-12 sem.
52%; 9-12 sem.
Boland et al., 1996
(n=23)
Fonte: Adaptado por Harmon, 1998
O efeito positivo de vitaminas e microelementos na redução da contagem de células
somáticas pode ser explicada pelo papel específico de cada um na imunologia da glândula
mamária. A vitamina E esta relacionada com a estabilidade de membranas evitando
oxidação das mesmas, neste caso a vitamina E atua juntamente com o selênio. O selênio
tem importação na defesa imune por ser o componente vital da enzima glutationa
peroxidase, que é essencial para proteção das células e tecidos (SORDILLO, 1997). A
deficiência de vitamina A tem efeito direto no imunossupressão, por aumentar a resposta de
glicocorticóides ao stress. O cobre é constituinte da ceruroplasmina e o zinco é essencial
para a integridade da pele, que é a primeira defesa contra infecções.
Tabela 3 - Serviços/concepção, intervalo entre partos, dias abertos e idade ao primeiro
parto .
Método Média1 RESULTADOS Metas Ponto de
Interferência
Serviços/ concepção2
Vacas
Novilhas
1.8 - 2.2 1,3
1,5
1,2
< 1.5 > 2.2
Intervalo/partos previsto
(meses)
13.5 - 15 12,8 < 12.5 13.5
Dias abertos
(parto/prenhez)
120 109 < 90 > 120
Idade ao primeiro parto
(meses)
26 - 28 25 24 > 28
0
100
200
300
400
500
600
700
800
Timpanismo Espumoso
- Tipo específico de distensão abdominal originado pela formação de uma espuma estável que não se consegue eructar.
- A espuma não é verdadeira mas uma mistura de gás, líquido e pequenas partículas → viscosidade aumentada por Pt solúveis → impedem coalescimento de bolhas → sensores não reconhecem gás → inibição da eructação
Causas
1) Predisposição individual
- Rúmen com grande capacidade
- Saliva com certas Pt e sem mucina (eu digere o visco)
2) Alimentação
- Ervas cortadas jovens e que crescem depressa – plantas com folhas facilmente digeridas que são rapidamente fermentadas no rúmen
→ > conteúdo em água
→ diminuição da saliva
→ aumento do meteorismo
- Grão → aumenta a mucoproteína → visco estável a baixo pH induzido pelo grão → bolhas estáveis
- Alimentação com grão e plantas jovens – risco maior!
Diagnóstico
- Passagem do tubo estomacal revela pc gás e espuma estável aderente ao mesmo e não alivia a distensão
Tratamento
- Agentes tensio-activos:
→ Quebrar as bolhas e permitir eructação
→ Poloxaleno, óleos minerais, detergentes
Prevenção
1) Alteração da composição da dieta
2) Poloxaleno diariamente com a ração
3) Ionóforos diariamente com a ração/bolus ruminais – diminui a incidência do timpanismo espumoso pq diminui os protozoários do rúmen.
PROBLEMAS NO CONFINAMENTO DO GADO DE CORTE
Podem ser considerados como problemas no/do confinamento do gado de corte aqueles fatores ou condições que contribuem para o insucesso ou diminuição do rendimento da atividade. Os fatores que levam à diminuição do desempenho animal e/ou que comprometem a produtividade ou lucratividade do sistema podem ser subdivididos em:
a) fatores que afetam os animais individualmente e,
b) fatores que afetam o lote de animais. No primeiro caso estão incluídos os distúrbios metabólicos, doenças e intoxicações.
Os prejuízos dependem da intensidade de ocorrência destes e do número de animais acometidos. Em geral este prejuízo é facilmente visualizado e contabilizado, pois o(s) animal(is) doente(s) se destaca(m) dos demais. No segundo caso, os prejuízos são de difícil avaliação ou visualização pelo produtor, pois o efeito negativo é uniformemente distribuído entre os animais.
São derivados de fatores ou condições que impedem que a eficiência máxima seja obtida (ou seja, não há perda concreta, mas deixa-se de ganhar). Dentre os problemas que podem afetar os animais no confinamento, está a acidose, caracterizada pelo aumento do ácido lático no rúmen, geralmente em conseqüência do consumo excessivo de alimentos ricos em carboidratos facilmente fermentescíveis (do concentrado da ração).
Inicialmente o animal perde o apetite mas, com a evolução da acidose, pode ocorrer a morte do bovino. A acidose tende a ocorrer quando não há introdução gradual da ração ou quando há aumento na quantidade consumida de grãos em decorrência de uma mudança climática, por exemplo. Silagens de baixa qualidade ou água contaminada também podem causar acidose.
Para controle da acidose pode-se reduzir temporariamente o fornecimento do concentrado e fornecer bicarbonato de sódio juntamente com a ração. Alguns ionóforos também auxiliam na prevenção da acidose. O timpanismo também pode acometer bovinos em confinamento. Alguns alimentos (como leguminosas, resíduo da pré-limpeza do grão de soja, entre outros) podem favorecer seu aparecimento.
O timpanismo pode ainda ocorrer quando a freqüência de alimentação não é adequada ou há alternância de super e subfornecimento de concentrados, especialmente os finamente moídos (pode haver evolução até o aparecimento de paraqueratose). No timpanismo em que é formada espuma (usualmente ligado ao uso de leguminosas) o fornecimento de óleo (de soja, por exemplo) pode amenizar a distensão do rúmen, entretanto, no timpanismo associado à ingestão de grãos, o óleo pode contribuir para o agravamento do quadro clínico.
Em casos graves chega a ser necessário intervenção mecânica para expulsão dos gases do rúmen. Há no mercado remédios que auxiliam no tratamento do timpanismo e é interessante tê-los sempre disponível na farmácia. Quando mal utilizada, a uréia pode provocar intoxicação nos bovinos. A princípio, os animais mostram sintomas de desequilíbrio (animal "tonto") podendo evoluir rapidamente até à morte.
Para prevenir esse quadro, a uréia deve ser fornecida acompanhada de carboidratos prontamente fermentáveis, em quantidades balanceadas, e introduzida na ração de forma gradual. Para acudir animais intoxicados é recomendado forçar a ingestão de água, preferencialmente gelada, e vinagre. Outras doenças, causadas por vírus (ex.: papilomatose, diarréias), bactérias (ex.: enterotoxemia, tuberculose), fungos, protozoários e outros vermes (ex.: cisticercose, helmintoses) e artrópodes (ex.: sarna) também podem ocorrer. Contudo, são de baixa ocorrência quando o manejo sanitário do rebanho é bem conduzido.
Há ainda doenças como a reticulite e a bursite traumáticas. A primeira pode se desenvolver após a ingestão acidental de pedaços de arame, pregos ou materiais semelhantes que venham a perfurar o retículo. A segunda é mais comumente conseqüência do uso de arame ou barra não flexíveis, colocados à frente dos cochos para impedir a entrada dos animais nos mesmos.
Montas e brigas entre animais, se freqüentes, podem trazer prejuízo tanto para os animais dominados (lesões) quanto para os dominantes (gasto energético superior). As causas para estes comportamentos anormais não estão bem definidas. Há casos em que é preciso retirar animais do lote para amenizar o problema.
Quaisquer dos problemas anteriormente citados podem ser evitados quando os princípios básicos de alimentação e manejo de animais em confinamento são respeitados. Dentre os problemas que afetam o desempenho dos animais em conjunto, impedindo que o rendimento seja maximizado, podem ser citados: presença de lama nos currais, comprimento de cocho insuficiente, uso de alimentos de baixa palatabilidade (ex.: farinha de carne) em proporção relativamente alta, picagem do capim verde a ser fornecido com muita antecedência à hora da refeição (esquenta e fermenta, perdendo paladar).
Animais bem boa conformação óssea e muscular, lotes com animais de porte, condição ou idade diferentes, excessiva movimentação dos animais, constante presença de pessoas estranhas, alteração dos horários e forma de fornecimento de alimentos, seguramente são fatores que comprometem o rendimento da engorda
SAIBA QUANTOS PEIXES TEM NA SUA PISCICULTURA
Segundo KUBITZA, 1998, a medida que os peixes vão crescendo, é necessário fazer um reajuste de ração, e as rações flutuantes (extrusadas) permitem esse manejo. Os 10% iniciais não são totalmente utilizados pelos alevinos, mas a quantidade maior é dada apenas para ser mais facilmente encontrada. A ração inicial deve possuir 45% de PB (proteína bruta), passando depois para a fase de engorda para um mínimo de 25% de PB para peixes não carnívoros. Periodicamente deve ser feito um reajuste com relação a quantidade e o tamanho do grão. Vários fatores influem no consumo de ração, entre eles a temperatura, o oxigênio dissolvido e alimento natural disponível.
Anteriormente, quando se usava apenas a ração peletizada que não flutua, afundando imediatamente, era difícil o cálculo da biomassa, pois o piscicultor era obrigado a colocar a ração em cochos de madeira submersos, o que nem sempre servia para avaliação. Outro método utilizado era o de amostragem, o qual também era impreciso, além de demorado, trabalhoso e causando stress de captura aos peixes.
Um dos maiores problemas do vendedor e também do comprador de peixes vivos, era saber a quantidade de peixes que existia nos viveiros, assim quando chegava o caminhão transportador e decepção ao criador. Caso contrário, a quantidade de peixes era tão grande que o caminhão não tinha capacidade de transporte, sobrando muitos peixes para grande desespero do piscicultor.
A ração extrusada que é flutuante, permite avaliar a quantidade de peixes aproximada, pela quantidade de ração consumida. Assim, a ração é pesada em pequenas porções é lançada na água e quando começar a sobrar, pode-se calcular a biomassa em valores de aproximadamente 4%. Dessa forma, com o consumo de 4 quilos, avalia-se que devem existir aproximadamente 100 quilos de peixes. Quando o criador faz essas avaliações periódicas, ele sempre tem os valores aproximados da quantidade de peixes que possui em seus viveiros e pode efetuar a venda sem ter decepções no esvasiamento do viveiro. O método também é válido para os donos de pesqueiros que querem repor o estoque ou colocar outros peixes.
Os casos de intoxicação com UREIA

Os casos de intoxicação por amônia, em decorrência do consumo não controlado de uréia, são comuns e dão incdícios de que a propriedade não está gerindo bem seu manejo nutricional, colocando em suspeita, ainda, a qualidade do manejo reprodutivo, sanitário, de ordenha, de laticínio e etc.
Os sinais clínicos são decorrentes da alta concentração de gás dióxido de carbono e amônia no rúmen, devido à ação da uréase microbiana. Os efeitos no órgão se apresentam rapidamente como timpanismo e alcalose ruminal, levando a atonia. Porém, ambos os gases não ficam restritos ao rúmen, sendo distribuídos no corpo levando a uma intoxicação severa. Associada a uma alcalose metabólica, a amônia vai ser convertida em uréia novamente no fígado, para posterior excreção renal, via ciclo da uréia. Contudo, o grande aporte de amônia sobrecarrega a via metabólica responsável pela sua degradação. Isso ocorre devido a formação de glutamato em excesso, diminuindo a concentração de α-cetoglutarato, fundamental para o manutenção do ciclo do ácido cítrico, intimamente relacionado ao ciclo da uréia . Como conseqüência, haverá redução na produção de ATP.
No sistema nervoso, em particular, com a passagem da amônia pela barreira hemato-encefálica, ocorre a formação de glutamato em excesso, que será convertido a glutamina. Com isso, diminui-se a presença de glutamato no cérebro, resultado em sintomatologia nervosa de progressão rápida, uma vez que o glutamato é um neurotransmissor importante, e precursor de GABA (Nelson e Cox et al., 2004). O quadro neurológico é caracterizado por tremores musculares, salivação, taquipnéia, apatia, ataxia e sudoração. A freqüência cardíaca também se altera (100-160 bat/min) e a prostração pode ocorrer até 2 horas após a ingestão da uréia (González e Silva, 2006).
O diagnóstico é feito com base nos relatos de morte subida dos animais, perto dos conhos ou bebedouros. No histórico, constata-se a o início recente de administração de uréia e o não cumprimento dos prazos de adaptação. Caso a propriedade já trabalhe com uréia há bastante tempo, atentar para troca de funcionários, ou origem e armazenamento da uréia.
O suporte laboratorial ao veterinário não acrescenta muito devido ao desenvolvimento superagudo da intoxicação. Uma vez que a proteólise se inicia logo após a morte, níveis séricos de amônia são de valia apenas em animais vivos. Já a amônia no fluido ruminal pode ser dosada (sendo congelada após a coleta e assim mantida até a dosagem), mas devem ser obtidas logo após o óbito.
Na necropsia observa-se timpanismo, congestão tecidual, excesso de fluido no saco pericárdico. No momento da abertura do rúmen, o odor característico de amônia é um forte indicativo de intoxicação por uréia. A avaliação do pH, com indicativo de alcalinidade (pH > 7,5) reforça o diagnostico de intoxicação (González e Silva, 2006)..
Na maioria dos casos o tratamento é ineficaz devido o avanço da intoxicação, mas quando identificado o problema logo no início dos sinais clínicos, algumas estratégias simples podem trazer bons resultados.
A primeira medida é a interrupção na administração de uréia. A administração de água gelada via sonda orogástrica visa a diminuição da atividade da uréase bacteriana. Porém, não combate a alcalose ruminal; para isto, é recomendada a administração de 2 a 4 litros de vinagre (ácido acético) via sonda. Ainda, a passagem da sonda libera o CO2 produzindo, reduzindo o desconforto do timpanismo (Smith, 1993).
6
7
Ambos os tratamentos são de fácil e rápida execução, porém lidam apenas com as conseqüências da intoxicação. O uso da transfaunação visa combater diretamente a fonte produtora de amônia, ou seja, a microbiota não adaptada. Basicamente, com o auxílio de uma sonda, ligada a uma bomba de vácuo, retira-se fluido ruminal (2 a 4 L) de um indivíduo não intoxicado e adaptado à alimentação com uréia. Da mesma foram, retira-se a mesma quantidade de fluido ruminal do animal acometido, desprezando-o. Faz-se, então, a transferência do fluido ruminal do animal sadio para o rúmen do indivíduo doente, fornecendo microorganismos corretamente adaptados ao processamento da uréia no rúmen (Smith, 1993; Rebhun, 1995).
A administração de fluidoterapia com soro glicosado, e protetores hepáticos ajuda na recuperação do animal, mas não são eficientes se utilizados como tratamentos isolados
Silagem e uréia
Outra forma desta associação é a incorporação da uréia a silagem na hora do arraçoamento. A orientação é a mesma sugerida para o manejo da cana com uréia, obedecendo ao mesmo prazo de adaptação (Andriguetto, 1999).
Uréia e cana-de-açúcar
Toda a administração de uréia deve ser feita progressivamente, passando por um período de adaptação de 1 a 3 semanas. Neste exemplo da cana mais uréia, duas semanas é considerado um período seguro para adaptação de bovinos e pequenos ruminantes. A administração pode ser feita da seguinte forma.
•
Primeira semana: 250 g (0,25%) de uréia/sulfato para cada 100 kg de cana
•
Segunda semana: 500 g (0,5%) de uréia/sulfato para cada 100 kg de cana
•
Terceira semana: 1 quilo (1%) de uréia/sulfato para cada 100 kg de cana
A mistura de uréia/sulfato deve ser feita obedecendo corretamente as proporções, sendo posteriormente armazenadas em saco plástico, longe do alcance dos animais devido ao risco de intoxicação. A quantidade a ser administrada deve ser diluída em água (500 a 1000 g para cada 4 litros de água) e espalhada, de forma homogênea, com o uso de um regador em cima da cana picada no dia, servida no cocho. É importante o acesso a água de qualidade e sal mineral ad libitum aos animais.
SISTEMAS DE ALIMENTAÇÃO COM URÉIA
É importante relembrar que para se obter um bom desempenho dos
animais com o uso da uréia misturada ao sal mineral no período seco, é
importante que exista boa disponibilidade de forragem no pasto, mesmo que
a forragem esteja seca (macega). A forragem, mesmo seca, é rica em
celulose (importante para as bactérias sintetizarem proteína) e pobre em
proteína. O fornecimento de sal mineral com uréia estimula o consumo da
pastagem e melhora o desempenho dos animais.
Existem no mercado várias misturas minerais com uréia pronta para
uso, mas a mistura do sal mineral com uréia pode ser feita na própria
fazenda. Para formulação da mistura na fazenda, pode-se utilizar sal mineral
pronto para uso ou misturar sal branco com misturas minerais na proporção
1:1 ou 2:1, de acordo com a recomendação do fabricante da mistura mineral,
obedecendo-se às proporções indicadas na tabela a seguir.
Tabela 1: Esquema de adaptação dos animais ao uso de uréia e sal mineral.
Semana Uréia (%) Sal Mineral (%)
1a 10 90
2a 20 80
3a em diante 30 70
Como usar:
Deve-se escolher um sal mineral de boa qualidade para misturar à
uréia. É importante obedecer às relações da Tabela 1 para proporcionar uma
adaptação gradativa dos animais ao consumo da mistura e, dessa forma,
diminuir o risco de intoxicação. Pode-se usar níveis maiores de uréia na
mistura, mas seria necessário o uso de um palatabilizante (melaço, farelo de
arroz, farelo de milho, outros), pois a uréia é amarga e, em maiores
quantidades, poderá reduzir o consumo pelos animais. O aumento da
proporção de uréia na mistura será interessante se houver alta
disponibilidade de forragem na fazenda (mais de 3.500 Kg de MS/ha). Um
exemplo desta mistura: 40% uréia + 50% sal mineral + 10% fubá.
IMPORTANTE:
· A mistura do sal mineral com uréia tem que ser bem homogeneizada;
· Deve haver uma boa distribuição dos cochos e em locais estratégicos,
como próximos de bebedouros. Os cochos devem ter dimensões
adequadas para que a mistura fique disponível para todos os animais;
· Colocar a mistura nos cochos no mínimo duas vezes por semana, sem
enchê-los muito;
· Não deixar faltar mistura para os animais, caso cintrário, os animais
terão que ser adaptados à mistura novamente (Tabela 1);
· Os cochos têm que ser cobertos, ligeiramente inclinados, com furos nas
extremidades, para evitar que a chuva molhe a mistura e a água se
acumule nos cochos;
· A área de cocho sugerida é de 5 a 10 cm por animal. Ex.: Para 20
animais, utilizar um cocho de 2 m para fornecimento de sal mineral +
uréia;
· Não fornecer a mistura a animais em jejum, famintos, cansados ou
depauperados;
· Deve-se conhecer o consumo médio da mistura por animal, para, se
necessário, intervir no fornecimento de algum dos componentes da
mistura.
(
METABOLISMO DA URÉIA
nitrogênio da dieta em proteína de boa qualidade, por meio de
microrganismos presentes no rúmen. O nitrogênio tanto pode vir de
proteínas verdadeiras (Ex.: farelo de soja, farelo de algodão, forragens,
outros) quanto de alguns compostos inorgânicos (compostos nitrogenados
não-proteicos), como uréia, biureto e ácido úrico.
A capacidade das bactérias para utilizarem o nitrogênio não-proteico
(NNP) vai depender, primariamente, da quantidade e do nível de degradação
da energia fornecida ao animal (carboidratos) e da capacidade de
crescimento da população de microrganismos, mas existe um limite para o
crescimento microbiano, o qual, teoricamente, depende da ingestão de
energia.
Quando a uréia alcança o rúmen, ela é rapidamente desdobrada em
amônia e CO2 pela enzima urease, produzida pelas bactérias. A amônia
presente no rúmen, resultante da uréia ou de outra fonte proteica, é utilizada
pelos microrganismos para a síntese de sua própria proteína. Para que isso
ocorra, é essencial a presença de uma fonte de energia (celulose das
forragens ou amido do milho, por exemplo). A proteína assim formada é
chamada de proteína bacteriana, como pode ser observado na Figura 1.
À medida que a digestão ruminal progride, todo o alimento ingerido
pelo animal, juntamente com as bactérias e seus produtos, continuam a
avançar pelo trato digestivo. Quando a digesta alcança o abomaso, que
possui grande acidez e é considerado o estômago verdadeiro do ruminante,
as bactérias são destruídas e seu conteúdo é liberado. No abomaso e no
intestino delgado, todas as frações alimentares são digeridas. A digestão da
proteína bacteriana nada mais é do que sua quebra em aminoácidos, os quais
serão absorvidos no intestino e novamente transformados em proteínas pelo
próprio animal.
Existe ainda a uréia endógena (produzida no metabolismo animal),
que é sintetizada no fígado do próprio animal. Nesse processo, a amônia
proveniente da degradação da proteína ou da uréia ingerida é absorvida pela
parede do rúmen e chega ao fígado pela veia porta. No fígado, essa amônia é
convertida em uréia. Parte dessa uréia volta ao rúmen, parte vai para a saliva
e parte é excretada pela urina. Esse processo é conhecido como “ciclo da UREIA
HISTÓRICO DA URÉIA
ela foi sintetizada pela primeira vez; porém, industrialmente, admite-se que
ela começou a ser fabricada em 1870, quando Bassarow promoveu sua
síntese por meio do gás carbônico e da amônia. A capacidade dos
ruminantes em converter o nitrogênio não-protéico em proteína microbiana
foi verificada por Weiskee em 1879.
Durante a Primeira Guerra Mundial (1914 – 1918), na Alemanha,
por causa da dificuldade de obtenção dos alimentos protéicos convencionais,
tortas e farelos das oleaginosas, a uréia foi muito utilizada na alimentação
dos bovinos como fonte protéica das rações, visando à produção de leite e
carne. Assim, na Europa e, posteriormente, nos Estados Unidos, foram
intensificadas as pesquisas relativas à utilização da uréia na alimentação de
bovinos e ovinos, objetivando principalmente reduzir o custo das rações.
A obtenção industrial da uréia é feita pela combinação da amônia
com gás carbônico, sob condições de elevada temperatura e pressão. Em um
reator de síntese de uréia, a uma temperatura de 195°C e pressão de cerca de
240 Kg/cm², ocorre a reação de síntese. Como a reação não se processa
integralmente, permanecem no reator uréia, carbonato de amônio, água e
excesso de amônia, necessitando de purificação, que será realizada numa
etapa posterior.
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A uréia é um produto químico que se apresenta em estado sólido, na
cor branca, sendo higroscópica e solúvel em água, álcool e benzina, tendo
sua forma química NH2CONH2.
domingo, 25 de abril de 2010
O que é zootecnia?
O Zootecnista é responsável pelo estudo da reprodução , desenvolvimento genético e acompanhamento da nutrição dos animais. São administradores rurais em fazendas. Estudam maneiras de prevenir e combater doenças que venham comprometer a saúde de animais usados em atividades como a pecuária.
Zootecnistas são profissionais responsáveis pelo estudo e controle da reprodução, aprimoramento genético e nutrição de animais criados com fins comerciais, que visam a aumentar a produção e melhorar a qualidade dos produtos de origem animal. Realizam experiências com alimentação e pesquisam formas de garantir as condições de higiene e de prevenir e combater doenças e parasitas, para melhorar a saúde dos rebanhos e a qualidade dos produtos derivados. Trabalham também como administradores rurais e planejadores de fazendas e instalações rurais.
Ovos sem colesterol e carne de porco light são exemplos do que pode fazer a pesquisa genética em busca de alimentos mais saudáveis. O campo da ciência que se preocupa com aspectos com esse da produção animal é a zootecnia. Muitas vezes confundido com o veterinário, o zootecnista é, na verdade, o profissional voltado para o desenvolvimento da produção.
O bacharel em zootecnia tem como principal função zelar pela criação de animais para abate, como bovinos, suínos, avestruzes e frangos, aplicando técnicas de criação, de aprimoramento e de melhoramentos genéticos, e manejo das raças para o consumo humano. Administra e planeja e economia rural de modo a organizar a criação de animais numa propriedade rural, com o objetivo de aumentar a produtividade, melhorando a qualidade e garantindo a sanidade dos rebanhos. Orienta o consumidor na compra e utilização de produtos, medicamentos e rações para rebanhos, em lojas especializadas. Formula e desenvolve suplementos alimentares, em indústrias de ração e vitaminas. Supervisiona a aplicação de vacinas e remédios.
Essencialmente ligada aos sistemas de produção, a Zootecnia está presente em todas as etapas que envolvem a criação de rebanhos para utilização na indústria alimentícia. Freqüentemente, a atividade do zootecnista é confundida com a do veterinário e mesmo com a do agrônomo, pois as três áreas disputam a mesma faixa de mercado. A diferença está no foco de cada profissional. O zootecnista é responsável por técnicas de aprimoramento genético, enquanto o veterinário se concentra mais na saúde dos animais. Já o agrônomo é um especialista no estudo dos rebanhos e na interação com o meio em que vivem. Na prática, essas atividades caminham juntas e se completam. Daí ser comum trabalhos em equipes que integrem os três profissionais.
Na raiz do trabalho do zootecnista está a busca pela eficiência produtiva. Nenhum outro profissional conhece tão bem técnicas de abate e de inseminação artificial quanto o zootecnista. Ele também atua na prevenção de doenças, cuida da nutrição e fiscaliza as condições sanitárias em que os animais são mantidos, até a fabricação de produtos de origem animal na indústria. Também é ao zootecnista que se costuma confiar a difícil tarefa de preservar espécies silvestres, selvagens ou nativas.
As oportunidades de trabalho estão em cooperativas de criadores, fazendas, empresas de agropecuária, frigoríficos, órgãos de pesquisa e consultoria, universidades e instituições de extensão rural. As indústrias de ração e os laboratórios de medicamentos e vitaminas contratam o zootecnista, especialmente se ele tiver conhecimentos em agribusiness e promoção de vendas. O crescimento do consumo do leite longa vida e seus derivados, produzidos principalmente por empresas multinacionais, aumenta as chances de trabalho. Crescem também as oportunidades na área de piscicultura, graças à multiplicação de empresas do tipo “pesque e pague”, que precisam de especialistas em produção. Numa escala menor, zoológicos buscam zootecnistas para cuidar do manejo e da nutrição dos animais e mesmo o turismo ecológico já começa a mostrar interesse por esse profissional. Boa parte dos recém-formados, filhos de agricultores, acaba trabalhando por conta própria, em empresas familiares. Na área de suinocultura, que conta com as novas tecnologias para aumento de produção e oferta de trabalho. Estão estagnadas as áreas de criação de rãs, cuja carne é pouco consumida, e de bicho-da-seda, pela falta de cultura do consumo do produto no país. A caprinocultura, ovinocultura e criação de animais silvestres tendem a crescer, especialmente nas regiões Sul, Sudeste e Centro-Oeste.
Apesar das frentes que se abrem em tantas áreas, a Zootecnia passa por momentos difíceis. “Não há políticas governamentais que incentivem a transferência de tecnologia para o setor produtivo”, diz Humberto Tonhati, chefe do Departamento de Zootecnia da Faculdade de Ciências Agrárias e Medicina Veterinária da Unesp, em Jaboticabal, São Paulo. “Com isso, os pequenos agricultores são os mais prejudicados”, avalia.
O crescimento da agropecuária é diretamente proporcional ao aquecimento da economia. Basta ver o que acontece com a avicultura: o aumento do consumo de carne de frango, de 8 quilos para 30 quilos per capita em um ano, provocou uma expansão no setor. “Se o país retomar o crescimento e oferecer empregos em todos os setores, aumentará o número de consumidores de produtos de origem animal, hoje restritos a apenas 30% da população”, diz Tonhati.
URÉIA NA ALIMENTAÇÃO DE RUMINANTES
Fatores a considerar na utilizacao de nnp
com o aumento da utilizacao de NNP em racoes , faz-se necessario melhor conhecer as condicoes essenciais , no rumen, para eficiente utilizacao do mesmo, bem como os nutrientes necessarios para uma melhor sintese de proteinas. As seguintes recomendacoes sao validas para utilizacao do nnp como alimento lembendo que as regras da utilizacao da ureia como suplemento de nitrogenio nao proteico, NNP tem a vantagem do baixo custo desta suplementacao e o tecnico ou o pecuarista tem que levar em conta os riscos que tambem pode ocorrer em uma ma utilizacao levando a morte dos animais, regras estas que devem ser seguidas a risca.
topicos.
NECESSIDADE DE MINERAIS PARA BOVINOS , NA MATERIA SECA AO AR

Intervalo das exigências minerais
sugeridas para bovinos de corte (% na matéria seca da dieta)
Macroelementos (%)
Elementos minerais Intervalo sugerido Concentração máxima
19843#######1996
Cálcio (Ca) (0,18-0,60)1 (0,19-0,33) -
Fósforo (P) (0,18-0,43) (0,12-0,20) -
Magnésio (Mg) ,05-0,25 0,10-0,20 0,40
Potássio (K) 0,50-0,75 0,60-0,70 3,00
Sódio (Na) 0,06-0,10 0,06-0,10 -
Enxofre (S) 0,08-0,15 0,08-0,15 0,40
Microelementos (%)
Cobalto (Co) 0,070-0,11 0,07-0,11 1 0
Cobre (Cu) 4-10 4-10 100
Iodo (I) 0,2-2 0,50 50
Ferro (Fe) 10-50 40-50 1.000
Manganês (Mn) 10-40 20-40 1.000
Selênio (Se) 0,05-0,30 0,10 2
Zinco (Zn) 20-40 30 50
O requerimento mineral depende muito do nível de produtividade. O aumento da taxa de crescimento, reprodução e produção leiteira aumenta os requisitos minerais. Em baixos níveis de produção, deficiências minerais marginais (próximas ao limite mínimo de exigência) não se manifestam, mas, com aumento dos níveis de produção, tornam-se severas, com sinais clínicos bem característicos.
Os cálculos de suplementos dietéticos podem se basear nos requerimentos de nutrientes sugeridos pelo National Research Council (NRC) (1984, 1996) americano. Esses dados baseiam-se na deposição/excreção dos elementos dos tecidos (placenta e anexos, ganho de peso, feto) e no leite, somados às perdas endógenas obrigatórias.
Esse valor é corrigido pela porcentagem do elemento absorvido na dieta. Quando os dados para estimativa por meio do método citado (fatorial) são escassos, utilizam-se observações experimentais e de campo, descrevendo os efeitos de uma faixa de ingestão do elemento no desempenho e saúde (Agricultural Research Council - ARC, 1980).
Os requisitos para ótima saúde são talvez de 25% a 50% maiores do que aqueles necessários para o crescimento normal, no caso de alguns microelementos (Herd, 1997). O NRC (1996) considera correção para raças de bovinos criados nos trópicos e a necessidade de maior atenção para as exigências dos microelementos minerais, levando em conta a demanda funcional.
Para bovinos sob pastejo, é comum o fósforo ser o mineral mais deficiente.
Existem divergentes opiniões quanto ao requerimento de fósforo para bovino de corte. Na Austrália, pesquisadores concluíram que 0,12% de P na matéria seca das forrageiras tropicais estaria mais próximo das necessidades para bovinos do que os níveis estabelecidos pelo NRC, superestimados em cerca de 30% para as condições daquele país.
Experimento , Corte demonstrou resultado não muito diferente deste, com bovinos nelores recebendo dietas que continham 100%, 70% e 40% dos requerimentos de P, conforme NRC (1984). Os animais que receberam 70% dos requisitos ganharam peso na ordem de 0,5 a 0,6 kg/dia, semelhante aos que receberam 100% de requisitos.
As relações entre os nutrientes precisam ser consideradas na determinação dos níveis ótimos de minerais em uma dada situação. Os requerimentos para o cobre são bem maiores se a pastagem tem teores consideráveis de molibdênio e enxofre. Isto se deve ao efeito antagônico dos referidos elementos no metabolismo do cobre.
Outro aspecto já mencionado é que os requisitos para algumas funções orgânicas podem ser maiores do que para crescimento ótimo. Assim, por exemplo, as exigências do zinco para a espermatogênese e desenvolvimento testicular de carneiro são maiores do que para o crescimento. Similar situação ocorre com o cobre e manganês para ovelhas no período reprodutivo (Underwood, 1981).
Novos trabalhos têm demonstrado o efeito da nutrição sobre a função imune. As deficiências de cobre e zinco alteram várias funções do sistema imunológico (Suttle & Jones, 1989; Spears, 1991). Existem, portanto, indicações de que as exigências desses elementos devem ser maiores na fase de formação do sistema imunológico do que na de crescimento.