
Introdução
Atualmente os sistemas de produção de leite com alta tecnificação, apresentam gargalos na
reprodução e na qualidade do leite. Longos intervalos de parto associados ao alto número
de serviços por concepção comprometem a vida produtiva da vaca. Do mesmo modo, leite
com alta contagem de células somáticas tem menor remuneração no mercado.
A nutrição adequada tem efeito direto na minimização dos fatores que afetam o
desempenho reprodutivo de vacas de alta produção. Uma boa dieta deve suprir a
necessidade de energia, conter níveis adequados de proteína e atingir as necessidades de
vitaminas e minerais. Qualquer desbalanço nesse sentido pode levar a baixos índices de
desempenho ou desperdício de dinheiro.
A mineralização em gado leiteiro de alta produção tem foco na melhora do desempenho
reprodutivo, que consiste na diminuição do intervalo de partos, diminuição dos serviços por
concepção e aumento na proporção de vacas prenhes em relação ao rebanho. Outro ponto
em que a mineralização exerce efeito, é na qualidade do leite, principalmente na contagem
de células somáticas. A suplementação efetiva de vitamina e alguns microminerais (Zinco)
têm efeito positivo na CCS.
Apresentação dos minerais
Tanto macro como microminerais podem se apresentar em várias formas. O fósforo pode se
apresentar na forma de fosfato bicálcico, fosfato monoamoneo, farinha de ossos ou na
forma natural. Em cada uma dessas apresentações existe uma particularidade que beneficia
ou não a utilização na nutrição animal
Tabela 1 - Comparação entre as principais fontes de fósforo
Fonte Sol. Ácido cítrico 2% Relação F:P Relação Ca:P
Fosfato bicalcico 90-95% 1:105 1,33
MAP 107% 1:40 -1:100 -
Farinha de ossos calcinada 70% - 2
Fosfato de rocha 25% 1:6 -
Os microminerais também se apresentam em várias formas, com biodisponibilidade
variando conforme apresentação. Os minerais podem se apresentar na forma orgânica ou
inorgânica (óxidos, sulfatos ou carbonatos). Quando na forma de óxidos a maioria dos
microminerais apresentam baixa disponibilidade, principalmente quando comparados a
sulfatos ou carbonatos. Além disso, os microminerais podem se apresentar conjugados a
moléculas orgânicas com aminoácidos, peptídeos ou polissacarídeos. Esses minerais na
forma orgânica apresentam maior disponibilidade quando comparados aqueles na forma
inorgânica.
Principais minerais relacionados com a reprodução de matrizes leiteiras
- Fósforo – Macromineral essencial para a reprodução. O fósforo é constituinte do ATP,
que é responsável pelos processos metabólicos no organismo. Várias fontes de fósforo são
disponíveis no mercado, porém a fonte mais limpa, com boa solubilidade é o fosfato
bicálcico. Matrizes de alta produção que recebem dietas com alto teor de grãos, que por sua
vez são ricos em fósforo, podem consumir menores quantidades de fósforo por meio do
mineral. Porém, é importante considerar que o fósforo presente nos grãos está ligado ao
fitato e o seu aproveitamento é limitado à ação das fitases no rúmen.
- Cobre – Micromineral mais importante na nutrição depois do fósforo. A ação de
microminerais como o cobre ocorre em nível bioquímico. O cobre atua como co-fator
enzimático na síntese de hormônios, vitaminas e enzimas. Na forma de óxido o cobre é
pouco disponível para a suplementação, além disso, sofre antagonismo do ferro, enxofre e
molibdênio. A utilização na forma orgânica tem sido uma das ferramentas para evitar tais
interações.
- Zinco – Da mesma forma que o cobre, o zinco atua em nível bioquímico como co-fator
enzimático. A deficiência de zinco compromete a concepção na fêmea. O zinco não é
estocável e esta relacionado com a mobilização hepática de vitamina A. A absorção do
zinco segue as mesmas vias da absorção do cobre, existindo até competição por receptores.
O zinco ativa o mecanismo de liberação da vitamina A no fígado.
- Selênio – Participa da composição da enzima glutationa peroxidase, essa enzima está
relacionada com o combate aos radicais livres, portanto tem efeito direto na manutenção de
membranas. Assim, está relacionada com a concepção. McDowell (2002) observou efeito
positivo da suplementação de selênio na forma orgânica.
-Manganês – Mineral que esta correlacionado com a intensidade de demonstração de cio
em matrizes. Os requerimentos não são estudados desde a década de 40, por isso os níveis
de inclusão precisam ser revistos, principalmente em vacas de leite de alta produção.
- Cobalto – Percussor da vitamina B12, que é essencial para a flora microbiana.
Suplementação mineral é efetiva para evitar problemas com deficiência, que leva a
anorexia, perda de pelos e anemia.
- Cromo – Micromineral relacionado com o fator de tolerância a glicose, o que determina a
efetividade da insulina. MELLO (2002) observou aumento do metabolismo basal, melhor
conversão alimentar e diminuição na produção de corticóides em bezerros suplementados
com cromo orgânico. A efetividade do mineral na forma orgânica é maior, considerando
que o elemento está pouco disponível em alimentos.
CHESTER-JONES(2004) comparou minerais orgânicos conjugados com aminoácidos e
minerais orgânicos conjugados com polissacarídeos. Além disso, incluiu no tratamento uma
mistura entre sulfatos e minerais orgânicos conjugados a polissacarídeos (2/3 e 1/3,
respectivamente) e um tratamento com minerais inorgânicos somente. Os resultados
seguem na tabela abaixo.
Tabela 1 – Efeitos da suplementação de minerais orgânicos (zinco e cobre) na reprodução
de vacas em lactação
Tratamento Concepção 1o
serviço
(%novilhas)
Concepção 1o
serviço ( %
vacas)
Dias em
aberto
Serviços por
concepção
Sulfatos 42 15 152 2,1
Orgânicos
polissacarídeos
71 67 112 1,6
Orgânicos AA 38 22 134 1,6
Sulfatos (2/3) +
Orgânicos
polissacarídeos
(1/3)
34 25 136 1,8
CHESTER-JONES (2004)in: Feedstuffs
Alem dos efeitos no desempenho reprodutivo, a adequada mineralização contribui para
melhora da qualidade do leite, principalmente na redução da contagem de células
somáticas.
Em levantamento feito por Harmon (1998) é observado redução da CCS em intensidades
diferentes, com suplementação orgânica envolvendo Zinco, Cobre e Selênio.
Tabela 2 - Influência da suplementação de minerais orgânicos na contagem de células
somáticas.
Alves (2002) trabalhando com vacas holandesas em regime de free-stall avaliou o
desempenho em relação à contagem de células somáticas (CCS) durante 1 ano com os
resultados mensurados a cada 15 dias. Observando menor contagem em animais
suplementados com Zn orgânico.
Figura 1: Resultados com suplementação com Zn orgânico na contagem de células
somáticas
M ineral
orgânico
Fornecimento
diário % de redução CCS Referencia
Zn 400mg 57% Harris, 1995
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
52%
Boland et al., 1996
(n=7)
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
45% Boland et al., 1996
(n=28)
Cu
Zn
Se
100mg
300mg
2mg
35%; 0-12 sem.
52%; 9-12 sem.
Boland et al., 1996
(n=23)
Fonte: Adaptado por Harmon, 1998
O efeito positivo de vitaminas e microelementos na redução da contagem de células
somáticas pode ser explicada pelo papel específico de cada um na imunologia da glândula
mamária. A vitamina E esta relacionada com a estabilidade de membranas evitando
oxidação das mesmas, neste caso a vitamina E atua juntamente com o selênio. O selênio
tem importação na defesa imune por ser o componente vital da enzima glutationa
peroxidase, que é essencial para proteção das células e tecidos (SORDILLO, 1997). A
deficiência de vitamina A tem efeito direto no imunossupressão, por aumentar a resposta de
glicocorticóides ao stress. O cobre é constituinte da ceruroplasmina e o zinco é essencial
para a integridade da pele, que é a primeira defesa contra infecções.
Tabela 3 - Serviços/concepção, intervalo entre partos, dias abertos e idade ao primeiro
parto .
Método Média1 RESULTADOS Metas Ponto de
Interferência
Serviços/ concepção2
Vacas
Novilhas
1.8 - 2.2 1,3
1,5
1,2
< 1.5 > 2.2
Intervalo/partos previsto
(meses)
13.5 - 15 12,8 < 12.5 13.5
Dias abertos
(parto/prenhez)
120 109 < 90 > 120
Idade ao primeiro parto
(meses)
26 - 28 25 24 > 28
0
100
200
300
400
500
600
700
800
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